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Publicação semestral da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC)

Vol. 13 nº 2 - Jul. / Dez.  de 2017

DOI: 10.5935/1808-5687.20170019

RELATOS DE PESQUISAS

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Páginas 138 a 146

Relações entre Empatia, Resiliência e Perdão Interpessoal

Relations among Empathy, Resilience and Interpersonal Forgiveness

Autores: Vanessa Dordron de Pinho1; Eliane Mary de Oliveira Falcone2

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Palavras-Chave: Perdão; Empatia; Resiliência.

Keywords: Forgiveness; Empathy; Resilience.

Resumo:
O perdão interpessoal pode ser compreendido como a experiência de mudança nas respostas emocionais, cognitivas e comportamentais da vítima em relação a um ofensor. Este fenômeno é apontado na literatura como benéfico para a saúde física e emocional da vítima que perdoa e para as relações interpessoais entre a vítima e o ofensor, de modo que se considera relevante investigar variáveis fomentadoras de sua ocorrência. Este trabalho teve como objetivo investigar o valor preditivo da empatia, da resiliência e da mágoa sobre o perdão. Foram aplicadas três medidas de autoinforme - Inventário de Empatia; Escala de Resiliência; e Enright Forgiveness Inventory - a 167 adultos. 73,7% da amostra foi composta por mulheres. A média de idade foi de 37 anos (DP=12,66). Testes de regressão múltipla foram realizados. Verificou-se que a empatia e a resiliência predizem diretamente o perdão, enquanto a mágoa o prediz inversamente. Os resultados sugerem que os níveis de mágoa, resiliência e empatia podem ter influência sobre a experiência de perdoar.

Abstract:
Interpersonal forgiveness can be understood as the victim’s experience of change in emotional, cognitive, and behavioral responses towards an offender. This phenomenon is pointed out in the literature as beneficial for physical and emotional health of the pardoning victim, and for the interpersonal relationship between the victim and the offender. It is therefore relevant to investigate possible variables that promote its occurrence. This work intended to examine the predictive value of empathy, resilience and hurt over forgiveness. Three self-report measures - the Empathy Inventory; the Resilience Scale, and the Enright Forgiveness Inventory - were applied to 167 adults. 73,7% of the sample was composed by women. The mean age was 37 years (SD=12.66). Multiple regression tests were performed. It was found that empathy and resilience directly predicted forgiveness, while hurt predicted it inversely. Results suggest that hurt, resilience and empathy levels may have an influence on the forgiving experience.

INTRODUÇÃO

O estudo do perdão interpessoal é recente na psicologia e pesquisas sobre o tema são incipientes no Brasil, de modo que é importante ampliar as investigações sobre o construto no âmbito nacional. Dentre as diferentes definições encontradas na literatura, o perdão pode ser compreendido como “uma disposição para abandonar o próprio direito de ressentimento, julgamento negativo e comportamento indiferente em relação a outrem que injustamente nos prejudicou, enquanto encoraja as qualidades desmerecidas de compaixão, generosidade e mesmo de amor em direção a essa pessoa”(Enright & Rique, 2007, p.4). Essa conceituação indica que este fenômeno é processual e multidimensional, refletindo um processo de mudança de respostas negativas por outras positivas, de uma vítima em direção a um ofensor, nas dimensões afetiva, cognitiva e comportamental.

Alguns autores chamam atenção para a diferença entre o perdão decisional e o perdão emocional (Elliott, 2011; Lichtenfeld, Buechner, Maier & Fernández-Capo, 2015). No primeiro, algum ressentimento está presente na vítima, embora esta tenha cognitivamente assumido o compromisso de trabalhar para perdoar. Já operdão emocional é mais amplo, pois inclui mudanças na emoção para com o ofensor, além da decisão cognitiva e mudança comportamental. Esta experiência envolve a superação de afetos negativos como o ressentimento, a raiva, o rancor e a mágoa.

Pesquisas mais sistemáticas sobre o perdão passaram a ocorrer a partir das duas últimas décadas do século XX (Worthington, 2005). Muitos psicólogos clínicos começaram a utilizar tratamentos com o perdão no setting terapêutico, pesquisadores começaram a explorar os princípios psicossociais que subjazem o perdão, investigações sobre o tema começaram a crescer em revistas científicas e, por volta do ano 2000, aproximadamente trinta laboratórios de pesquisa estavam recebendo financiamento para conduzir pesquisas sobre o fenômeno (McCullough, Pargament& Thoresen, 2000).

Pode-se atribuir o interesse crescente pelo tema aos benefícios sociais, fisiológicos e psicológicos associados à sua ocorrência. Leime, Luna, Leite e Rique (2012) chegam a ressaltar a importância da educação terapêutica e a conscientização das pessoas sobre o perdão como possível estratégia das políticas públicas na área da saúde, devido ao seu papel para a qualidade de vida.

Sendo benéfico ao ser humano, é importante conhecer fatores que aumentem suas chances de ocorrência; assim, recursos mais efetivos poderão ser oferecidos àqueles que desejam alívio para mágoas interpessoais. Neste trabalho, duas variáveis foram inicialmente conjecturadas como facilitadoras do perdão: a empatia e a resiliência.

A empatia é um fenômeno multidimensional, essencial para a vida em sociedade, e diz respeito à compreensão e preocupação com o bem-estar dos outros. Falcone et al. (2008) a definem como “a capacidade de compreender, de forma acurada, bem como de compartilhar ou considerar sentimentos, necessidades e perspectivas de alguém, expressando este entendimento de tal maneira que a outra pessoa se sinta compreendida e validada” (p. 323).

A literatura psicológica aponta a empatia como um dos fatores mais importantes para a ocorrência do perdão, especialmente o seu elemento cognitivo, a tomada de perspectiva. Embora a dimensão empática afetiva também seja fundamental, e muitas vezes abordada como indício do próprio perdão, ela parece ser consequência do esforço cognitivo para compreender intelectualmente o ofensor, conforme aponta Fitzgibbons (1986), dentre outros estudiosos.

Em um estudo empírico, Rique, Camino, Formiga, Medeiros e Luna (2010) investigaram as relações entre empatia e perdão utilizando escalas de autoinforme. Eles aplicaram as escalas de Consideração Empática e Tomada de Perspectiva da Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal (EMRI; Ribeiro, Koller & Camino, 2001), e o Item do Perdão da parte final do Enright Forgiveness Inventory(EFI; Rique, Camino, Santos & Gouveia, 2009). A pesquisa encontrou relações positivas entre as variáveis, apontou o valor preditivo das medidas de empatia sobre o item do perdão e ainda confirmou um modelo, através de equações estruturais, no qual a Consideração Empática favoreceu o perdão, por meio da Tomada de Perspectiva. Esse resultado favorece a ideia de que a experiência cognitiva da empatia pode anteceder a experiência afetiva em casos de mágoas e conflitos interpessoais.

Essa questão é abordada por Falcone (2012) ao propor que a empatia pode ocorrer de forma automática (com o afeto sendo ativado primariamente) ou de forma mais controlada, com o afeto empático decorrendo do esforço para compreender o outro. O processo controlado dessa experiência parece ser o que possibilita o perdão em situações de conflito, quando a mágoa e a raiva estão mais intensas, dificultando a compaixão. Através da tomada de perspectiva é possível que a vítima desenvolva afetos mais positivos pelo ofensor (Pinho & Falcone, 2012; Rique & Camino, 2010).

Neste trabalho, duas dimensões da empatia foram estudadas, a tomada deperspectiva (TP) e a sensibilidade afetiva (SA) ou compaixão, que representam os aspectos cognitivo e afetivo, respectivamente, da experiência empática. Embora a literatura disponha de evidências acerca de associações positivas entre empatia e perdão, percebe-se a necessidade de analisar melhor as relações entre os diferentes elementos da empatia e as distintas dimensões do perdão por meio de novos métodos, considerando o uso de escalas multidimensionais de ambos os construtos. Não foram levantadas conjecturas a priori sobre qual variável empática teria maior valor preditivo sobre o perdão. Embora se acredite que a TP anteceda a SA em casos de perdão, isso não permite dizer que uma dimensão tenha um papel mais importante que a outra. Assim, partiu-se da hipótese de que ambas tivessem valor preditivo positivo sobre o perdão.

A resiliência humana pode ser compreendida, de maneira ampla, como a capacidade dos indivíduos de superarem as adversidades da vida,adaptando-se de forma saudável ao seu contexto(Taboada, Legal & Machado, 2006). Diz respeito ao enfrentamento, recuperação e superação das adversidades (Yunes, 2003).O construto pode ser entendido como o envolvimento pró-ativo e responsável do indivíduo para a superação dos problemas, em vez de uma espera passiva pela resolução.

Sobre as relações entre resiliência e perdão, alguns estudos já estabeleceram associações entre esses fenômenos. Umtrabalho que aponta para relações positivas entre as variáveis é o de Wagnild (2009). O autor realizou uma revisão de doze estudos empíricos sobre a resiliência e verificou correlações positivas entre este construto e: bem-estar, atividades promotoras de saúde, propósito na vida, senso de coerência, moral e perdão.

A relação positiva entre os fenômenos na maioria dos trabalhos, contudo, é inferida por meio de construtos que sugerem resiliência, não sendo empregados instrumentos que de fato meçam a variável. Por exemplo, Knowles (2011) estudou sobreviventes das bombas atômicas em cidades japonesas. Em uma pesquisa qualitativa com uma amostra de pessoas que vivenciaram esta adversidade, o autor observou dois estilos de sobreviventes: os que mantêm uma orientação para o passado, que vivem rotineiramente com as memórias da tragédia; e os que são orientados para o tempo presente e futuro, que prosperam apesar das condições adversas. No primeiro grupo foram identificados sinais de preocupação, ansiedade, desconfiança e foco no estigma que os sobreviventes carregam. Entre os prósperos, o autor verificou que as pessoas eram mais esperançosas e possuíam traços de transcendência, superação e perdão. Nesse caso, a resiliência foi inferida pela prosperidade.

Em outro trabalho, o fenômeno foi inferido pela habilidade para regular emoções (Mazaheri,Nikneshan, Daghaghzadeh&Afshar, 2015). Outras vezes, foi feita a associação entre perdão e resiliência, porém com os construtos sendo avaliados como traços, como no estudo de Seaton e Beaumont (2014). O trabalho levou esses autores a discutirem a importância de uma personalidade resiliente e flexível para a fomentação da disposição ao perdão. Assim, pôde-se dizer que a personalidade resiliente favorece o perdão disposicional. Contudo, nada se pôde concluir sobre a manifestação de fato da resiliência em situações concretas de adversidades interpessoais e sobre o estado real de perdão em relação a um ofensor específico.

Também há estudos que apenas discutiram as possíveis relações entre resiliência e perdão, como o deLee e Enright (2014) e o de McAllister et al. (2015). E ainda há aqueles que encontraram relações negativas entre perdão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o qual sugere falta de resiliência (Gil, Weinberg, Or-Chen& Harel, 2015; Hobbs, 2015; Kopacz, Currier, Dresher & Pigeon, 2015).

A fim de preencher lacunas na literatura, considerou-se importante estudar as relações entre as variáveis em questão através de outro método, utilizando instrumentos de autorrelato destinados a mensurar a resiliência como um processo/habilidade e o perdão multidimensional real específico a um ofensor.Isso é diferente de apenas teorizar sobre as relações entre os fenômenos, de estudar os construtos enquanto traços da personalidade, e de estudar a resiliência indiretamente, por meio de outras variáveis. Partiu-se da hipótese de que o indivíduo que consegue acionar seus recursos resilientes é mais provável de perdoar, ou de encontrar no perdão uma estratégia de enfrentamento das adversidades interpessoais. Desse modo, esperou-se que a resiliência tivesse valor preditivo positivo sobre o perdão.

Este estudo objetivou avaliar o valor preditivo da resiliência e das dimensões empáticas afetiva (SA) e cognitiva (TP) sobre os domínios afetivo, cognitivo e comportamental do perdão interpessoal. Uma vez que a escala empregada neste trabalho para avaliar o perdão também dispõe de um item que avalia o grau de mágoa da vítima em relação ao ofensor, esta variável foi inserida nas análises como outro possível previsor do perdão.

A mágoa é uma das emoções negativas decorrentes de uma ofensa interpessoal (Enright & Rique, 2007). Foi conjecturado que esta variável teria um valor negativo significativo sobre as dimensões do perdão. Enright e Rique (2007) incluem esse item sobre a intensidade da mágoa em seu instrumento de avaliação do perdão por entenderem que a percepção da gravidade da ofensa pode afetar o grau de mágoa mais do que a gravidade em si. Assim, mesmo ofensas leves poderiam ser percebidas como graves por alguns indivíduos e a experiência da mágoa ser mais intensa. Pode-se considerar, deste modo, que a percepção subjetiva da mágoa contempla melhor a experiência conforme vivenciada pelo indivíduo, para além do dado de realidade sobre a severidade da injúria.

Para alcançar os objetivos propostos, foi realizado um estudo empírico, com uma amostra de brasileiros adultos, residentes no estado do Rio de Janeiro, com diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade, acerca de experiências reais de perdão/não perdão.

Todas as variáveis (numéricas e categóricas) que foram coletadas para caracterizar a amostra desse estudo foram inseridas nas análises com o propósito de identificar possíveis associações com o perdão, a empatia e a resiliência, embora não tenham sido assumidas hipóteses prévias nesses casos. No que tange à religião, especificamente, estudos anteriores indicaram diferenças entre cristãos e judeus quanto às crenças sobre perdoar (Cohen, Malka, Rozin & Cherfas, 2006). No presente trabalho, a amostra é composta em sua maioria por cristãos de diferentes denominações, e mesmo aqueles que não têm religião estão imersos em uma cultura cristã. Assim, não foram feitas conjecturas sobre diferenças entre os grupos religiosos quanto às variáveis em estudo.


MÉTODO

Participantes


Utilizou-se uma amostra de conveniência para a realização da pesquisa, a partir dos círculos sociais dos pesquisadores. Utilizou-se como critério de inclusão a idade mínima de 18 anos de idade, uma vez que se optou por estudar uma amostra adulta.Participaram deste estudo 167 adultos, sendo a maioria mulheres (73,7%). A média de idade da amostra foi de 37 anos (DP=12,66), com amplitude de 18 a 68 anos. Quanto ao estado civil, 72 participantes eram solteiros, 78 eram casados, 14 eram divorciados e três eram viúvos. No que tange ao nível de escolaridade, houve um participante com ensino fundamental incompleto e um com fundamental completo, três com médio incompleto, 28 com médio completo, 48 com superior incompleto, 41 com superior completo e 45 com pós-graduação. Declararam não ter religião 37 participantes; 45 eram evangélicos, 55 eram católicos, 24 eram kardecistas, dois eram testemunhas de Jeová, dois eram budistas, um era messiânico e um era espiritualista.

Instrumentos

Os participantes preencheram uma ficha de caracterização da amostra e três instrumentos, descritos a seguir:

- Escala de Atitudes para o Perdão (Enright & Rique, 2007; Rique, Camino, Enright & Queiroz, 2007), a versão para a população brasileira do Enright Forgiveness Inventory(EFI), construída por Subkoviak et al. (1995). Este instrumento mede o grau de perdão em um contexto específico de ofensa e é composto por sessenta itens distribuídos equitativamente em três subescalas (afetos positivos e negativos, comportamentos positivos e negativos, e julgamentos positivos e negativos). Os itens são pontuados de 1 (discordo fortemente) a 6 (concordo fortemente). Há uma folha de rosto, que também compõe a medida, que avalia o contexto da ofensa (intensidade da mágoa, agente etc.). Por fim, há um escore de um item do perdão, no qual a pessoa indica de 1 (não perdoei) a 5 (perdoei completamente) o quanto perdoou o mesmo ofensor. Este item é utilizado como uma medida independente de validade externa (Rique et al., 2009).

No estudo de Subkoviak et al. (1995), de desenvolvimento e validação da EFI, as subescalas afetiva, cognitiva e comportamental apresentaram todas o mesmo coeficiente de Cronbach: α = 0,97. Na presente amostra, os índices de confiabilidade entre os itens foram: α = 0,96 para a subescala cognitiva e α = 0,95 para as subescalas afetiva e comportamental.

- Inventário de Empatia (IE; Falcone et al., 2008), uma medida brasileira multidimensional, composta por quatro fatores independentes (Tomada de Perspectiva, Sensibilidade Afetiva, Flexibilidade Interpessoal e Altruísmo) e quarenta itens. Os participantesrespondem os itens do IE com base em uma escala de cinco pontos, que varia de 1 – “nunca” – a 5 – “sempre”. 17 itens do instrumento são reversos.

Para os propósitos do presente estudo, empregaram-se as escalas “Tomada de Perspectiva” e “Sensibilidade Afetiva”. A primeirarefere-se à capacidade de entender a perspectiva e os sentimentos da outra pessoa, mesmo em situações que envolvam conflitos de interesse, as quais demandam esforço para compreender as razões do outro, antes de expressar a própria perspectiva. A segunda reflete sentimentos de compaixão e de interesse pelo estado emocional do outro (Falcone et al. 2008).

Os índices de confiabilidade das escalas no estudo de desenvolvimento e validação da medida foram: α = 0,85 para o fator TP; α = 0,72 para o fator SA (Falcone et al., 2008). No estudo atual, a consistência interna foi: α = 0,82 para TP e α = 0,80 para SA.

- Escala de Resiliência, construída em 1993 por Wagnild e Young (Wagnild, 2009), adaptada e validada para a população brasileira por Pesce et al. (2005), é composta por 25 itens e avaliada unifatorialmente. A resposta aos itens se dá em uma escala de sete pontos: três níveis de concordância, três de discordância e um nível situado entre eles. A confiabilidade interna da escala foi de α = 0,80, no estudo de Pesce et al. (2005), e α = 0,90, no estudo atual.

Procedimentos

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mediante o número do CAAE 49161615.1.0000.5259. A investigação foi realizada de acordo com as orientações do Conselho Nacional de Saúde, respeitando a ética das pesquisas com seres humanos.

Após a aprovação, procedeu-se à coleta dos dados. Foi utilizada uma amostra de conveniência. Foram contatados adultos da rede social dos pesquisadores. Todos aqueles que aceitaram participar assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o qual informa sobre os direitos dos participantes. Em seguida, os instrumentos foram entregues para serem respondidos individualmente e foram devolvidos em uma data posterior. Por fim, foi montado um banco dos dados coletados para que os mesmos fossem processados estatisticamente.

Análise dos Dados

Para a análise dos dados, foi utilizado o programa SPSS 22. Foram feitas as estatísticas descritivas da amostra; foi utilizado o Teste t para comparar homens e mulheres quanto à resiliência, à SA, à TP e ao perdão; os grupos religiosos e os estados civis foram comparados quanto aos mesmos instrumentos de medida, por meio de Análises de Variância; foram calculadas as correlações de Pearson entre a idade, a escolaridade e os instrumentos que avaliam a empatia, a resiliência e o perdão. Por fim, análises de regressão linear múltipla foram rodadas pelo método por entrada forçada dos previsores.

Três regressões foram realizadas, uma para cada subescala de perdão (EFI) a ser prevista (afetiva, comportamental e cognitiva). Nestes três casos, foi feita a regressão hierárquica, com a TP, a SA e a resiliência inseridas no passo 1 e o grau de mágoa inserido no passo 2. A idade e a escolaridade não foram inseridas como previsores ou covariantes por não terem apresentado correlações significativas com as escalas empregadas (ver Tabela 1).




RESULTADOS

A média dos participantes em perdão foi: 91,20 (DP=22,62) na subescala cognitiva, 83,30 (DP=22,61) na subescala comportamental e 81,82 (DP=23,20) na subescala afetiva. Em TP, a média foi 43,10 (DP=6,62); em SA, 37,70 (DP=5,20); e em resiliência, 128,30 (DP=20,64). Não foram encontradas diferenças significativas entre homens e mulheres em nenhuma das medidas utilizadas: TP – t(165) = -1,45, p > 0,05; SA – t(165) = -1,27, p > 0,05; resiliência

t(165) = -0,76, p > 0,05; perdão afetivo – t(165) = -2,00, p > 0,05; perdão comportamental – t(165) = -2,16, p > 0,05; perdão cognitivo – t(165) = -1,91, p > 0,05.

Também não foram encontradas diferenças entre os grupos religiosos: TP – F (7, 160) = 0,10, p > 0,05; SA – F (7, 160) = 0,61, p > 0,05; resiliência – F (7, 160) = 0,54, p > 0,05; perdão afetivo – F (7, 160) = 0,37, p > 0,05; perdão comportamental – F (7, 160) = 0,51, p > 0,05; perdão cognitivo – F (7, 160) = 0,72, p > 0,05. Da mesma forma, os estados civis não se diferenciaram em relação às medidas empregadas: TP – F (4, 163) = 0,70, p > 0,05; SA – F (4, 163) = 1,36, p > 0,05; resiliência – F (4, 163) = 1,41, p > 0,05; perdão afetivo – F (4, 163) = 1,02, p > 0,05; perdão comportamental – F (4, 163) = 0,84, p > 0,05; perdão cognitivo – F (4, 163) = 0,50, p > 0,05.

As análises correlacionais mostraram que todas as escalas se relacionaram de forma significativa e positiva entre si, como pode ser observado na Tabela 1. Sobre a correlação da TP com perdão afetivo (r = 0,15, p < 0,05), cognitivo (r = 0,21, p < 0,01) e comportamental (r = 0,19, p < 0,01), nota-se que quanto maior a capacidade de adotar a perspectiva do outro, maior o perdão nas três dimensões avaliadas. Sobre a correlação da SA com o perdão afetivo (r = 0,19, p < 0,01), cognitivo (r = 0,20, p < 0,01) e comportamental (r = 0,23, p < 0,01), observa-se que conforme a disposição para importar-se com o outro aumenta, o perdão também aumenta em todas as dimensões.

A TP (r = 0,43, p < 0,001) e a SA (r = 0,37, p < 0,001) se correlacionaram de forma significativa, positiva e forte com a resiliência. Isso indica que a empatia e a resiliência caminham na mesma direção, isto é, quanto maior a disposição para adotar a perspectiva do outro e para preocupar-se com o outro, maior a capacidade para lidar com as adversidades de forma resiliente. As correlações da resiliência com perdão afetivo (r = 0,14, p < 0,05), perdão cognitivo (r = 0,16, p < 0,05) e perdão comportamental (r = 0,17, p < 0,05) indicam que quanto maior a capacidade para se engajar em processos resilientes, maior o perdão nas três dimensões avaliadas.

A Tabela 2 apresenta os resultados das análises de regressão. Com respeito à regressão sobre a subescala cognitiva do EFI, 5,7% da variância em perdão cognitivo foi explicada pelo modelo 1 (composto pelos previsores TP, SA e resiliência) e 10,5 % pelo modelo 2 (composto pelos previsores TP, SA, resiliência e mágoa). Ambos os modelos aderiram de forma significativa aos dados (p < 0,05 para modelo 1; p < 0,01 para modelo 2), sendo que o modelo 2 teve melhor adesão. A inclusão do grau de mágoa foi relevante para explicar o perdão cognitivo, sendo inclusive a variável que mais contribuiu para o modelo (β = -0,22), em sentido inverso, seguida consecutivamente por TP (β = 0,12), SA (β = 0,11) e resiliência (β = 0,07), em sentido direto. O único previsor que contribuiu individualmente de forma significativa para o modelo foi o grau de mágoa (p < 0,01).




Com relação à subescala afetiva do EFI, 4,2% da variância em perdão afetivo foi explicada pelo modelo 1 e 10,3% pelo modelo 2. Apenas o modelo 2 aderiu de forma significativa aos dados (p < 0,01). A variável que mais contribuiu para o perdão afetivo foi o grau de mágoa (β = -0,25), seguida consecutivamente por SA (β = 0,15), resiliência (β = 0,08) e TP (β = 0,03). Da mesma forma, a mágoa teve correlação inversa, ao passo que os demais previsores tiveram correlação direta com o perdão afetivo. O único previsor que contribuiu individualmente de forma significativa para o modelo foi o grau de mágoa (p < 0,01).

No que tange à subescala comportamental do EFI, 6,3% da variância em perdão comportamental foi explicada pelo modelo 1 e 10,3% pelo modelo 2. Os modelos foram significativos na explicação do perdão comportamental (p < 0,05 para modelo 1; p < 0,01 para modelo 2), mas o modelo 2 teve melhor adesão aos dados. A variável que mais contribuiu para o modelo foi o grau de mágoa (β = -0,20), em sentido inverso, seguida consecutivamente por SA (β = 0,18), resiliência (β = 0,08) e TP (β = 0,05), em sentido direto. O grau de mágoa e a SA contribuíram de forma significativa na explicação do perdão comportamental (p < 0,01 e p = 0,05, respectivamente).


DISCUSSÃO

Este artigo correlacionou uma escala de resiliência, duas medidas empáticas (Tomada de Perspectiva e Sensibilidade Afetiva) e três subescalas de perdão (afetiva, cognitiva e comportamental). Os resultados sustentam que a habilidade para adotar a perspectiva do outro, a disposição para experienciar compaixão, o engajamento resiliente na solução dos problemas, e a mudança de respostas negativas para respostas positivas em direção a um ofensor são fenômenos que caminham em uma mesma direção. Ainda, isso independe do sexo do indivíduo, da idade, da religião, do nível de escolaridade e do estado civil.

O principal objetivo desta pesquisa foi analisar o valor preditivo da empatia e da resiliência sobre o perdão. O grau de intensidade da mágoa foi incluído nas análises de regressão, por tratar-se de uma variável que poderia afetar o fenômeno, uma vez que a literatura aponta que quanto maior a mágoa causada pela ofensa, mais difícil se torna perdoar (Pinho & Falcone, 2012).

No geral, os resultados indicaram que, a empatia e a resiliência afetam o perdão em sentido direto, e a mágoa, em sentido inverso. Assim, para perdoar, a vítima precisa ser resiliente, ter boa capacidade de tomada de perspectiva, ser capaz de compaixão e encontrar mecanismos de redução da mágoa. Neste trabalho, o grau de mágoa provocado pela ofensa teve destaque como o fator com maior valor preditivo sobre os três domínios de perdão. Isso sugere que a mágoa intensa pode ser a principal dificultadora do processo de perdoar.

É plausível que esses fenômenos favorecedores do perdão estejam intimamente interligados. A própria capacidade resiliente de se envolver ativamente na resolução do problema interpessoal poderia mobilizar a vítima a fazer o esforço cognitivo para compreender o ofensor, suspendendo seus próprios julgamentos e perspectiva, o que por sua vez, ativaria a compaixão e reduziria a mágoa. É possível que, se o indivíduo acredita que pode, por si mesmo, agir em prol de aliviar a sua mágoa causada pela injúria interpessoal, e encontra os recursos para isso, ele pode se engajar de forma resiliente na busca pelo perdão. Assim, a resiliência, a TP e a SA constituiriam os próprios mecanismos que atuariam sobre a intensidade da dor.

É relevante considerar que o grau de mágoa pode ser influenciado por características do indivíduo que o levam a exacerbar um delito pequeno ou a diminuir um grande problema interpessoal. Assim, é possível cogitar que a disposição empática afete a própria maneira de perceber uma ofensa. A tendência para sentir compaixão e tomar a perspectiva do outro poderia funcionar como amortecedora diante de uma ofensa, reduzindo a intensidade da mágoa experienciada após a injúria.

Os indivíduos também podem ter maior vulnerabilidade para certos tipos de ofensa, de modo que não serão tão resilientes em alguns casos. Como a gravidade da ofensa não foi controlada nesta pesquisa, não se sabe se ela é proporcional à intensidade da mágoa. O tipo de vulnerabilidade de uma pessoa e a disposição empática poderiam ser mais importantes na determinação do grau de mágoa que a severidade da injúria em si.

Seria necessário controlar o tipo e gravidade da ofensa sofrida para melhor avaliar o papel da mágoa sobre o perdão. É possível também que a disposição empática e a resiliência atuem como redutores da mágoa com o passar do tempo, sendo então importante avaliar o grau de mágoa antes, durante e após o processo de perdoar. Assim, diferentes entrelaçamentos entre TP, SA, resiliência e mágoa podem existir na predição do perdão e merecem maior atenção em novos estudos.

Falando especificamente do perdão ao nível cognitivo, a TP, após a intensidade da mágoa, foi o fator de maior contribuição. Isso é interessante porque significa que a dimensão cognitiva da empatia é a que está mais associada à dimensão cognitiva do perdão. Faz sentido pensar que adotar a perspectiva do ofensor ajude a vê-lo por outro ângulo, o que favorece a mudança dos julgamentos sobre o outro e que, ainda que a TP tenha influência sobre outros níveis do perdão, a maior contribuição deveria ser mesmo sobre a maneira de pensar acerca do ofensor e da ofensa.

De fato, com relação ao perdão afetivo e comportamental, a SA mostrou-se mais importante que a TP. Isso sugere que experienciar compaixão pelo ofensor é mais relevante para a mudança de afetos e comportamentos que a adoção da sua perspectiva.

Contudo, embora os resultados sugiram relações diferentes entre as distintas dimensões da empatia e do perdão, deve-se enfatizar que a TP, a SA e a resiliência só parecem ter valor preditivo sobre o fenômeno quando em conjunto. Nenhuma dessas variáveis individualmente predisse significativamente o perdão. Talvez, apenas ter uma predisposição empática não seja suficiente para perdoar; o indivíduo também precisa fazer um esforço pessoal para superar a adversidade interpessoal trabalhando para desenvolver empatia por um ofensor específico. Essa é uma hipótese levantada a partir do resultado encontrado que pode ser investigada em estudos futuros com outras metodologias.

No perdão afetivo, um pouco diferente dos domínios cognitivo e comportamental, a redução da mágoa necessariamente deve acontecer, junto à TP, SA e resiliência, dado que apenas estes três previsores em conjunto não mostraram valor preditivo sobre a subescala afetiva do EFI. Isso indica que o perdão ao nível emocional é o mais difícil de ser alcançado e que, por isso, é o que exige mais recursos para ocorrer. Ainda, uma vez que a mágoa também é uma emoção e sua presença indica falta de perdão (Enright & Rique, 2007), ela precisa necessariamente ser superada para que o sentimento de perdão possa ser autopercebido.

O perdão nos níveis cognitivo e comportamental pode ocorrer por uma decisão do indivíduo e a sensação da mágoa ainda pode estar presente. Ou seja, pode haver um comprometimento em controlar os pensamentos e comportamentos em direção ao ofensor, o que indica perdão decisional, mas a vítima ainda pode sentir que não perdoou de verdade (Elliott, 2011; Lichtenfeld et al., 2015; Worthington, 2005). Isso pode explicar porque os modelos de regressão compostos apenas pela TP, SA e resiliência mostraram-se significativos na predição do perdão cognitivo e comportamental, mas não apresentaram valor preditivo significativo sobre o perdão afetivo.

Outro resultado que merece atenção é que a média dos participantes foi menor na subescala afetiva que nas subescalas cognitiva e comportamental do perdão. Esse padrão tem se estabelecido nas pesquisas que empregam o EFI e confirmam que o perdão ao nível emocional é o mais difícil de ocorrer (Pinho & Falcone, 2012; Rique et al., 2010). Isso sugere que a vítima precisa gastar tempo considerável, reenquadrando a ofensa e o ofensor, para que a mudança afetiva seja finalmente alcançada.

Em suma, este estudo dá sustentação empírica às relações positivas entre empatia, resiliência e perdão, a partir do emprego de instrumentos de autorrelato destinados especificamente à mensuração dessas variáveis. Este é um ponto forte deste trabalho, por não tratar apenas teoricamente da relação entre os construtos e por não utilizar indicadores alternativos de resiliência, como regulação afetiva ou ausência de TEPT. Outro ponto forte desta investigação foi o emprego de medidas multidimensionais de empatia e de perdão, possibilitando destrinchar melhor as relações entre os diferentes domínios desses fenômenos.

Além disso, foram usadas escalas de perdão específico à ofensa e de resiliência como um processo, evitando a mensuração desses construtos como traços de personalidade. Assim, pôde-se discutir sobre a relação entre as variáveis em casos de experiências reais vivenciadas pelos participantes.

Este artigo também tem o mérito de contribuir para a literatura sobre as forças e virtudes humanas no contexto brasileiro, ao identificar fatores que contribuem para a ocorrência do perdão. Isso é importante para a fomentação de estratégias de ajuda efetivas àqueles que desejam alívio para a dor provocada pelas feridas interpessoais.

Contudo, este trabalho apresenta limitações. Como se optou por uma amostra de conveniência, o número de mulheres que aceitaram participar da pesquisa foi bem maior que o de homens. Isso parece indicar uma tendência cultural, na qual pessoas do gênero feminino se mostram mais disponíveis para falar sobre temas afetivos e interpessoais que as do gênero masculino. Desse modo, os resultados precisam ser analisados com cautela, pois podem refletir mais as relações entre as variáveis no universo feminino. Uma amostra mais equilibrada quanto ao gênero dos participantes é desejável em estudos futuros.

Outra limitação a ser discutida diz respeito à amplitude da idade da amostra. Foi colocado como critério para participar deste estudo qualquer pessoa acima de 18 anos. Foi considerado relevante não controlar a idade ou o grau de escolaridade, uma vez que as investigações anteriores sobre o perdão privilegiaram universitários. Buscou-se ampliar a validade externa da pesquisa, de modo que os resultados não refletissem apenas a relação entre o perdão e os demais fatores para estudantes de graduação. Contudo, a variação da idade ficou muito ampla. Assim, sugere-se que estudos posteriores restrinjam a faixa etária para que não fique tão variável, ao mesmo tempo em que procurem não focar apenas em amostras universitárias. De qualquer forma, salienta-se que a idade e a escolaridade não tiveram correlações significativas com o perdão na presente amostra.

Deve-se considerar também que, embora esse trabalho tenha trazido contribuições relevantes para a compreensão do fenômeno do perdão, o percentual de variância explicado pelos modelos nas análises de regressão foi baixo. A empatia, a resiliência e a mágoa contribuíram como pouco mais de 10% da variância sobre os domínios do perdão interpessoal. Ainda são necessários novos estudo para se conhecer melhor as diversas variáveis que podem ter um papel na fomentação do perdão.

Ainda, é válido lembrar que este é um estudo transversal. Muitas conjecturas podem ser especuladas a partir dos resultados, porém são necessários estudos longitudinais em que a mágoa, a empatia, a resiliência e o perdão possam ser mensurados em diferentes momentos desde a ocorrência da ofensa para que melhor se compreenda as relações causais entre os fenômenos. Pesquisas longitudinais também poderiam verificar com mais propriedade o desenvolvimento da empatia e da resiliência ao longo do ciclo vital e suas contribuições para as experiências de mágoa e perdão quando os indivíduos se deparam com ofensas. Outra questão para estudos futuros é considerar o controle da gravidade da injúria sofrida. A partir deste trabalho, não é possível saber se a intensidade da mágoa é proporcional à severidade da transgressão.

Ainda, podem existir interfaces entre as variáveis estudadas que não puderam ser detectadas neste trabalho. Não se pode dizer que elas funcionam de forma independente. Por exemplo, será que a resiliência é mediadora entre a empatia e o perdão? Ou será que a TP e a resiliência são mediadoras entre a disposição para compaixão e a redução da mágoa/aumento do perdão? Várias hipóteses parecem plausíveis e merecem a atenção em novas pesquisas; assim, outra sugestão que fica para estudos posteriores é o emprego de análises de equações estruturais, a fim de identificar variáveis mediadoras na promoção do perdão.

Por fim, este trabalho foi importante ao apontar fatores que contribuem para o perdão interpessoal. Os resultados sugerem que os níveis de mágoa, resiliência e empatia podem ter influência sobre a experiência de perdoar.


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1. Doutora em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Docente do Mestrado em Terapia Cognitivo- Comportamental da Universidade Salgado de Oliveira; Psicóloga do Programa de Atenção à Pessoa em Situação de Violência da Prefeitura de Angra dos Reis
2. Pós-Doutora em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo - Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Correspondência:
Vanessa Dordron de Pinho
Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBTC em 20 de Dezembro de 2017. cod. 595
Artigo aceito em 27 de Julho de 2018
 
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